Como fazer currículo para PCD, passo a passo
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Escreva o currículo de PCD como qualquer outro: função, experiência, formação e o que você sabe fazer. Citar a deficiência é uma escolha sua, não uma exigência.
Você precisa mencionar a deficiência?
Não há obrigação de informar a deficiência no currículo. Muita gente prefere não citar e tratar o assunto na entrevista, quando houver alguma necessidade específica.
Vale mencionar em dois casos. O primeiro é quando a vaga é destinada a PCD e você quer deixar claro, logo no início, que atende ao perfil. O segundo é quando a condição muda a forma de trabalhar, por exemplo se você precisa de um recurso de acessibilidade ou de um horário diferente. Nesse caso, fale da necessidade, não do diagnóstico: "Preciso de material em formato ampliado" diz o que a empresa precisa saber, e o resto fica com você.
Antes e depois
Veja um exemplo fictício de resumo e experiência, em duas versões.
Versão fraca:
"Tenho deficiência visual desde o nascimento e sempre precisei superar barreiras. Sou uma pessoa dedicada e determinada. Trabalhei como atendente em uma loja de roupas."
Versão mais forte:
"Atendente com 2 anos de experiência em loja de roupas, com média de 30 clientes por dia. Responsável por vendas no caixa, reposição de estoque e registro de trocas no sistema. Domínio de leitores de tela e de sistemas de PDV. Disponível de terça a sábado, das 9h às 18h."
O que mudou: a primeira versão fala de você como pessoa e de uma dificuldade. A segunda fala do trabalho que você fez, em números e atividades que o recrutador consegue comparar com a vaga. Também saiu o adjetivo genérico ("dedicada e determinada"), que não prova nada. Se você usa tecnologia assistiva, citá-la como habilidade é útil quando ela tem relação com a vaga, como no exemplo acima.
O que mudar e o que deixar como está
Os blocos de contato, experiências, formação, cursos e habilidades são iguais para todo mundo. Cada experiência deve ter a função, o período e de duas a três linhas sobre o que você fazia. Use datas de entrada e saída. Se não lembrar o mês exato, a carteira de trabalho digital ou contracheques antigos ajudam.
Se você tem um período de tempo sem trabalho, não precisa explicá-lo com a deficiência. Um curso, um projeto voluntário ou uma formação feita nesse tempo podem entrar na lista, sem comentário.
Formato do arquivo
Se você vai se candidatar por plataforma de vagas ou pelo site da empresa, prefira um modelo de coluna única, com texto simples e sem tabelas ou caixas de texto. Esse formato é mais fácil de ser lido por sistemas automáticos e costuma funcionar melhor com leitores de tela. Confira também se o PDF permite selecionar o texto; isso facilita a leitura por tecnologias assistivas.
Ao escolher o modelo de currículo, dê preferência a fontes simples, títulos bem marcados e espaçamento confortável. Enfeite pouco. Se for enviar por e-mail diretamente a alguém que te indicou, um layout um pouco mais pessoal pode ser usado, mas a clareza continua sendo o mais importante.
Passo a passo
Se quiser uma sequência completa para montar o arquivo do zero, o passo a passo para fazer currículo mostra o que entra em cada parte. Comece pelos dados de contato, depois as experiências e, por último, o resumo. Escrever o resumo por último costuma ser mais fácil, porque você já listou tudo o que fez.
Orientação geral. Nenhum currículo garante entrevista, emprego ou aprovação em um sistema ATS: o resultado depende de cada empresa e do seu perfil.